domingo, 14 de fevereiro de 2021
Domingo de Carnaval
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Carta a um grande amor, o Carnaval
| Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil |
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
A Vila e a rua
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| Foto: Diego Mendes/ Vila Isabel |
Depois de pensar bastante nos motivos que fazem meu coração ser branco e azul, arrisco dizer que o que mais me comoveu na Vila Isabel não foi o momento de entrar na quadra pela primeira vez, mas o deslumbramento de estar com a escola na rua. Chegar à Vinte e Oito de Setembro em dia de ensaio, ou mesmo abrir a primeira cerveja do lado de fora da quadra em noite de disputa de samba, faz a gente se emocionar com o espaço, os componentes, os torcedores.
Os integrantes da bateria com seus instrumentos no meio da rua, o fluxo de carros substituído pelo de pessoas, os bares cheios horas antes de o carro de som ser ligado, as barracas de churrasquinho nas calçadas musicais, os acenos da vizinhança que vibra das janelas e das varandas, tudo isso fez parte do meu encanto pelo “povo do samba”. Naquele momento, eu percebi a relação peculiar da Vila com a rua, uma ligação que faz ainda mais sentido ao lembrarmos que, mesmo no ano de Kizomba, a escola ainda não tinha quadra e ensaiava a céu aberto.
O chão da Vila Isabel, que é forte, vem de muito tempo. E é ele que me remete ao trecho do samba de Moacyr Luz e Martinho: “Vila Isabel, meu Deus, como tu és de chorar de emoção…”. Foi em 2013 que chorei de emoção após acompanhar cada nota da apuração na quadra e ver ser declarada a vitória, com as bênçãos de Noel. Comemorar o campeonato de nossa escola por si só já é emocionante, mas fazer isso depois de ter presenciado o preparo, o empenho e a garra de uma comunidade nos projeta para uma dimensão incomparável, em que o mundo todo passa a caber nos versos “é o morro no asfalto duas vezes: uma pra ser campeão e a outra pra comemorar”.
Conheci a Vila de perto nos preparativos para o Carnaval de 2011. A partir daí, muitas vezes estive no aquecimento da bateria e fui atrás da Swingueira nos ensaios. A certeza da minha paixão por essa escola só crescia todas as vezes em que o Tinga, em frente ao antigo Petisco, puxava “Sou da Vila, não tem jeito” e nossas vozes se somavam à dele. Cantando isso no meio da multidão, qualquer vilaisabelense renasce das cinzas e enxerga com mais nitidez a beleza da vida no menino que, aos poucos anos de idade, caminha com um tamborim na mão, embalado pelo passo cambaleante da criança que aprendeu recentemente a andar mas já sabe amar uma escola.
Além de tudo, os três campeonatos da Vila traduzem muito do que faz parte de mim: a sede de que o Apartheid enfim se destrua; o amor pela América Latina; e o desejo de que as terras sejam partilhadas, como bem apontou Martinho no verso “progredir, partilhar, proteger”. Foi a Vila Isabel, feita de raízes que ecoam o grito forte dos Palmares e guiada pela lua de Luanda, que me ensinou que vale muito viver o Carnaval o ano inteiro pra tudo se acabar na quarta-feira.
domingo, 18 de outubro de 2020
Fantasia de bate-bola
Me lembrei desse episódio quando li uma reportagem sobre mulheres ganhando esse espaço e se fantasiando com máscaras, bolas e sombrinhas. Começaram a participar dos grupos com fantasias denominadas femininas, mas depois, enfim, passaram a vestir o traje completo dos bate-bolas. Ao ler isso, vibrei por saber que muitas meninas hoje em dia, se quiserem brincar carnaval dessa forma, podem ter sua vontade realizada com mais facilidade.
A mesma reportagem ressaltava que, vestidas de bate-bola, as mulheres se libertavam das imposições que sofriam, de modo que a máscara, por esconder suas identidades, possibilitava-lhes dar cambalhotas, rolar no chão, pular e dançar. Ou seja: escondidas naqueles panos, podiam viver; irreconhecíveis, dentro de uma fantasia que permitia serem confundidas com homens, tinham o crivo social necessário para fazer o que desejavam, sem julgamentos.
A criança que eu fui ainda se espanta com este mundo em que mulher só pode pular, dançar, rolar no chão e dar cambalhota – em suma, se divertir – sem ser cobrada se estiver sob o anonimato de uma máscara. E nós percebemos isso desde cedo. O que eu buscava com a fantasia de bate-bola, afinal, era a alegria.
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Tantinho da Mangueira
sábado, 4 de abril de 2020
Quatro de abril
sexta-feira, 31 de maio de 2019
África: o baobá da vida Ilê Ifé
domingo, 17 de março de 2019
Um poema pra Mangueira
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Como será o amanhã?
sábado, 13 de janeiro de 2018
Esperança verde e rosa
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Cantando o Juremê na Sapucaí
No último domingo de ensaios técnicos na Sapucaí, a Império da Tijuca mostrou animação. O bom samba da escola se destacou e garantiu a empolgação, apesar de não ter sido cantado por todos os componentes. Ficaram um pouco comprometidos os quesitos “evolução” e “harmonia” (especialmente este), reconhecimento essencial para que a Verde-e-Branco drible as falhas, as corrija e faça um belo desfile no Carnaval.
No que diz respeito ao canto, a Beija-Flor não deixou a desejar. Pelo contrário. A escola de Nilópolis passou pela Avenida de modo explosivo, com um entrosamento bonito de se ver nas alas, em que cabe destacar o momento em que os componentes batem o pé no chão no incrível trecho “Araquém bateu no chão”. Neguinho da Beija-Flor, antes de cantar o melhor samba-enredo do ano, levantou as arquibancadas com “Domingo eu vou ao Maracanã”, “Mulher, Mulher, Mulher”, o samba de 2015 – referente ao enredo da Guiné Equatorial, último campeonato da Azul-e-Branco da Baixada – e, é claro, o samba de exaltação.
A bateria, que sustentou a escola até o fim, impressionou ao se apresentar de modo impecável. O casal Selminha Sorriso e Claudinho, como é comum, esbanjou simpatia e brilho. O ruim da noite foi o que aconteceu com o diretor Laíla, que passou mal (sofreu um princípio de infarto) e segue internado no hospital sem previsão de alta.
A última escola a se apresentar foi a Grande Rio, com a presença da homenageada Ivete Sangalo, que arrastou os fãs e lotou o Sambódromo. A bateria acelerou demais para acompanhar um ensaio que foi muito animado e se transformou em micareta, muito por conta da proposta do enredo.
Ivete, cantando o samba-enredo em cima de um trio elétrico, roubou o posto de principal intérprete. Os fãs da cantora foram ao delírio e fizeram festa. A Grande Rio realizou um ensaio polêmico, que agradou a muitos mas desagradou, principalmente, alguns dos que vivem e acompanham as escolas de samba o ano inteiro. No mais, ficou a impressão de que é a popularidade do enredo que poderá garantir o sucesso do desfile.
Ontem, as escolas que ensaiaram foram União do Parque Curicica, Alegria da Zona Sul e Cubango, todas da série A; hoje entram na Avenida Porto da Pedra, também da série A, Vila Isabel e Salgueiro, ambas do Grupo Especial.






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